Carnaval em Portugal

Os festejos carnavalescos chegaram a Portugal nos séculos XV e XVI. Nessa época, as brincadeiras eram um pouco agressivas e o Carnaval era um pouco brutal.

Por esse motivo, em 1817 surgem os primeiros editais, fixados pelo intendente geral de polícias, a limitar as brincadeiras desta época festiva.

As ruas enchiam-se de pessoas que encenavam verdadeiras lutas, em que as armas eram ovos crus ou as suas cascas cheias de farinha ou gesso, cartuchos de pós de goma, cabaças de cera com água de cheiro, tremoços, laranjas, tangerinas, pastéis de nata e outros bolos, tubos de vidro ou de cartão para soprar com violência, milho ou feijão para atirar a quem passava e luvas de areia para derrubar os chapéus dos transeuntes.

Como se tudo isto não bastasse, havia ainda bairros onde a tradição mandava atirar da janela púcaros, tachos de barro e alguidares sem serventia, com o intuito de acabar com tudo o que de velho existia em casa.

Em termos de violência física, o Carnaval não se ficava pelo arremesso de todo o tipo de alimentos a quem passava. Havia também o hábito de se comemorar o Entrudo à vassourada e à bordoada com colheres de pau ou outros objectos igualmente atordoadores.

Nos finais do séc. XIX, as cidades de Lisboa e Porto quiseram pôr um freio nos excessos cometidos pelos foliões carnavalescos.

Assim, começaram a ser organizados bailes de máscaras em clubes socialmente bem frequentados, como era o caso do Clube dos Salsas, composto pelos sócios do Clube Tauromáquico e do Turf-Club.

É também nesta época que surgem os “batalhões” populares da Ajuda, Alfama e Campo de Ourique, as batalhas de flores (que se mantêm na tradição do Carnaval de Loulé), de carros ornamentados e o “Carnaval do Porto”, organizado pelo Clube dos Faianos, com direito a cortejo de carros alegóricos e aparatosa cavalgada.

Na primeira metade do séc. XX, o carnaval passa a ser uma brincadeira quase exclusiva das crianças mascaradas e dos foliões nos teatros e cinemas.

Actualmente, o Carnaval recuperou alguns dos excessos outrora cometidos, embora de forma comedida, e mantém muitas das tradições do séc. XIX.

Apesar de algumas localidades portuguesas apresentarem uma tradição carnavalesca mais viva do que outras, a verdade é que não há vila nem aldeia em Portugal que não festeje a chegada do Entrudo, com mais ou menos entusiasmo e alegria.

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