Comemoração do Dia da Cultura Científica

O “Dia da Cultura Científica” é comemorado no dia 24 de Novembro, em honra a um grande Professor de Física-Química, Rómulo de Carvalho, mais conhecido no mundo da cultura como António Gedeão. A escolha desta data deve-se ao facto de ser o seu dia de aniversário.

António Gedeão escreveu uma grande panóplia de poemas, tendo sempre como lema o facto de usar os seus grandes conhecimentos ciêntíficos nos poemas que criou. Os mais conhecidos são: “A Pedra Filosofal”; “Lágrima de Preta”; “Máquina do Mundo”; “Poema da auto-estrada”; “A ti que eu inventei”; “Como será estar contente?”; “Poema das coisas belas”; “Aurora-Boreal”, entre outros.  Alguns destes foram mais tarde musicados, sendo utilizados como letras de canções bastante conhecidas pelo público em geral!

A nossa escola não quis deixar passar esta data em branco, tendo o sub-departamento de Ciências Físico-Químicas prestado homenagem a este grande professor de Física-Química e poeta, fazendo uma apresentação em todas as turmas do 3º ciclo de um dos seus poemas: “Aurora-Boreal”. Juntamente com esta apresentação, onde foi pedido aos alunos que lêssem o poema de António Gedeão, foram projectadas imagens de auroras boreais, ou austrais, conforme se dêem no Polo Norte ou no Polo Sul.

 Na região do Pólo Norte ela é conhecida como Aurora Boreal, sendo Aurora a deusa romana da alvorada e Boreas, vento norte em grego.  Na região do Pólo Sul ela é chamada de Aurora Austral, sendo que Australis quer dizer ”do Sul” em latim.

 

 “Aurora Boreal” de António Gedeão:

 

Tenho quarenta janelas

nas paredes do meu quarto.

Sem vidros nem bambinelas

posso ver através delas

o mundo em que me reparto.

Por uma entra a luz do Sol,

por outra a luz do luar,

por outra a luz das estrelas

que andam no céu a rolar.

Por esta entra a Via Láctea

como um vapor de algodão,

por aquela a luz dos homens,

pela outra a escuridão.

Pela maior entra o espanto,

pela menor a certeza,

pela da frente a beleza

que inunda de canto a canto.

Pela quadrada entra a esperança

de quatro lados iguais,

quatro arestas, quatro vértices,

quatro pontos cardeais.

Pela redonda entra o sonho,

que as vigias são redondas,

e o sonho afaga e embala

à semelhança das ondas.

Por além entra a tristeza,

por aquela entra a saudade,

e o desejo, e a humildade,

e o silêncio, e a surpresa,

e o amor dos homens, e o tédio,

e o medo, e a melancolia,

e essa fome sem remédio

a que se chama poesia,

e a inocência, e a bondade,

e a dor própria, e a dor alheia,

e a paixão que se incendeia,

e a viuvez, e a piedade,

e o grande pássaro branco,

e o grande pássaro negro

que se olham obliquamente,

arrepiados de medo,

todos os risos e choros,

todas as fomes e sedes,

tudo alonga a sua sombra

nas minhas quatro paredes.

Oh janelas do meu quarto,

quem vos pudesse rasgar!

Com tanta janela aberta

falta-me a luz e o ar.

 
   

As auroras são tempestades magnéticas que ocorrem nas regiões polares.

As Auroras Boreal e Austral ocorrem quando a Terra é atingida pelas partículas electrostáticas emitidas pelo Sol devido às suas reacções termonucleares. Estas partículas, ou Vento Solar, são deflectidas pelo campo magnético da Terra, a Magnetosfera.

O vento solar flui em torno da magnetosfera de forma parecida com a água que passa por uma pedra num rio.  Ele também pressiona a magnetosfera, distorcendo o seu campo magnético que, ao invés de linhas simétricas como as de um ímã, estica-se e alonga-se, gerando os incríveis desenhos em movimento que vemos no céu.

Prof. Paulo Azevedo

Prof. Paulo Azevedo

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