A Multiculturalidade

Com esta página, pretendemos dar voz às múltiplas

NACIONALIDADES e CULTURAS

que se encontram representadas na nossa escola.

Ao visionarmos o vídeo abaixo aparecem em evidência comportamentos tipificados que facilmente relacionamos com algumas línguas e culturas europeias, respetivamente, o alemão, o inglês, o espanhol, o francês, o italiano e o russo. Foram usados lugares comuns que caracterizam a cultura desses povos: a pronúncia dos alemães e dos russos, as touradas e sevilhanas dos espanhóis, o chá dos ingleses, a moda e a sofisticação dos franceses e a gastronomia dos italianos.

Se este vídeo contivesse também a caracterização do povo português ou dos povos dos restantes países de expressão portuguesa, que  símbolos, traços, tiques, hábitos ou manias iriam introduzir? O que caracteriza a nossa cultura? O fado? O bacalhau? O mar? E a cultura de Cabo Verde? A morna? E da Guiné? O café? E de Angola, Moçambique, S. Tomé e Brasil? Um conjunto de símbolos e de vivências? O que caracteriza cada um dos países representados na população de alunos da nossa escola?

A toda a comunidade educativa O MOURO propõe esta reflexão que se pode traduzir em testemunhos, narrativas, artigos sobre a cultura de cada um. Só assim saberemos reconhecer e apreciar a diferença e aceitar as nossas raízes.

A multiculturalidade é justamente a coabitação harmoniosa entre  diversas culturas, sem que nenhuma se torne dominante, sem que nenhuma se torne menos ou mais importante.

Ficam aqui alguns trabalhos já produzidos anteriormente por alunos dos cursos noturnos.

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Ser Portuguesa

Ser portuguesa é saber apreciar um bom café acompanhado de um maravilhoso pastel de nata;
Comer um bacalhau regado com azeite e ouvir um fado;
Fazer tudo à ultima da hora;
É ter orgulho em ser cidadão;
É ir ao baile e comer uma fartura;
É ver alguém necessitado e tentar ajudar;
É ir as compras, não saber o que levar e por fim ir-se embora de mãos a abanar;
É beber umas quantas cervejas, comer uns tremoços e ver o jogo de Portugal;
Enfim, ser Portuguesa é isso tudo e mais alguma coisa,
Ser portuguesa é nunca desistir de nada, pois tudo vale a pena!!

Carla Lima, Nº 5, EFA BC (Março 2009)

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Ser Cabo – Verdiana … em Portugal

Sou Cabo – Verdiana
Em Portugal …
Vim de terra longínquas,
Atravessei águas,
Deixei lágrimas
À procura de enigmas …

Sou Cabo – Verdiana
Em Portugal …
À procura de sonhos,
À procura de imaginação
Por entre as mãos …

Sou Cabo – Verdiana
Aqui!
Onde sinto o cheiro
A Liberdade,
O cheiro da felicidade,
Labutando pela
Igualdade!

Sou Cabo – Verdiana
Em Portugal …
De mãos calejadas
Por entre as geadas
Estou aqui

Sou Cabo-verdiana
Em Portugal …!

Maria Celestina Fernandes, Nº 24, EFA BC (Março 2009)

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Ser Angolana … aqui em Portugal …

Para mim tem sido uma experiência de vida. Já tive momentos bons e maus. Sinto saudades dos velhos amigos que lá deixei,
Saudades dos almoços que os meus pais realizavam aos fins de semana…
A música é … a que mais saudades me trazem ….
Acima de tudo …
Ser Angolana em Portugal é fascinante pois a língua é a mesma!
Foi fácil adaptar-me, apesar da nostalgia me consumir de vez em quando …
Outras vezes são as saudades da praia da ilha de Luanda!

Judith Cuta, Nº14, EFA BC (Março 2009)

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Ser portuguesa … hoje …

Eu sou portuguesa de todo o coração!
Tenho muitas saudades … quando me lembro dos meus irmãos …
Pai e mãe já não tenho,
Com muita tristeza o digo,
Pois já não tenho palavras,
Porque com muita tristeza fico!
Eu sou de Trás – os – Montes,
De uma terra encantadora,
Que muito novinha deixei,
Para vir para Lisboa!
Gostava muito quando lá voltava de férias,
Quando ainda tinha os meus pais!
Desde que eles morreram, nunca mais voltei!
Fui criada no Minho, que tem todas as maravilhas!
Ainda me lembro das traquinices de menina,
Da minha avó que me criou,
Ai saudades da infância!

Maria Madalena Gonçalves, Nº21, EFA BC (Março 2009)

Ser Angolano em Portugal é…

Ser angolano em Portugal é, hoje em dia, melhor do que há 20 anos atrás, mas mesmo assim não deixa de ser mau,
Como por exemplo, quando vamos procurar um emprego, mesmo antes de nos conhecerem julgam-nos logo pela raça. Isso não acontece só com os angolanos, mas sim com todos os africanos. E é por isso que o emprego mais decente que os angolanos podem arranjar cá em Portugal é nas obras.
Os portugueses pensam que a única coisa que os angolanos sabem fazer é dançar e falar mal português, mas esquecem que nem todas as pessoas são iguais e, por isso, não nos dão o devido valor.
Mas umas das boas coisas que Portugal tem para os angolanos são os estudos e a organização do país, é que os estudos de cá são muito melhores que os de lá, e o facto de o país ser mais organizado também faz com que seja mais desenvolvido e isso é uma coisa boa, claro!

Mauro Herculano Vanduno, Nº 25, EFA BC (Março 2009)

Ser Cabo – Verdiana aqui …

Ser Cabo-Verdiana aqui significa, para mim, uma melhor oportunidade pois tudo o que tenho conquistado aqui nunca teria lá …mas isso são coisas materiais …
Cá dentro de mim ficaram as saudades,
Saudades de … ao acordar … ver a serra vestida com nuvens da cor do algodão…
Saudades das ondas do mar que batiam na área e apagavam as nossas brincadeiras …
Saudades de uma mãe lutadora,
Que hoje esta lá … mas esta só!
Saudades da minha infância, infância feliz que fez de mim a mulher que sou hoje!

Maria Augusta Monteiro, Nº17, EFA BC (Março 2009)

Ser Portuguesa … aqui … hoje …

É sentir orgulho do meu país!
É admirar a beleza dos campos quando estão floridos, e o pôr – do – sol ao cair da noite!
Também é recordar a ribeira da Sertã as suas águas límpidas, nas quais se podiam ver alguns peixes!
Sentir saudade das festas de arraial e da doçaria tradicional que lá se vendia!
Ser portuguesa … e Beirã … é ir à missa e, se bem me lembro, no final toda a juventude se reunia no largo a conversar!
Hoje sinto alguma nostalgia dos tempos passados com as minhas irmãs e do quanto nos divertíamos.
Ser Portuguesa …hoje … aqui …
É estar a sofrer pôr dentro … mas ter sempre um sorriso no olhar!
Filomena Martins Dias, Nº9, EFA BC (Março 2009)

Ser Santomense … aqui … hoje …

É sentir saudades da terra onde nasci!
É sentir saudades da casa de madeira, com telhado de zinco, onde nos dias de chuva tropical, adormecia ao som das gotas gigantescas!
É sentir saudades da minha avó, com os seus petiscos e doces tradicionais!
É sentir saudades dos riachos onde se lava a roupa!
É sentir saudades das músicas tradicionais., das praias perigosas, dos passeios de Domingo pelas matas verdes, dos carrinhos de lata e de arame que serviam de mote a concurso entre bairros!
Mais saudades sinto … quando vejo imagens e oiço relatos dos que partem à procurura de melhores oportunidades!

Adelino Ramos Viegas, Nº1, EFA BC, (Março 2009)

SER DE SÃO TOMÉ… AQUI … HOJE!

TENHO SAUDADES DA MINHA TERRA!
O LOCAL ONDE NASCI ….

SOU DE SÃO TOMÉ!
GOSTO DESTA ILHA,
ELA É UMA MARAVILHA!
QUANDO FECHO OS OLHOS,
VEJO O JARDIM DO MEU BAIRRO,
TENHO SAUDADES DOS MEUS AMIGOS E FAMÍLIA!

QUANDO FECHO OS OLHOS PENSO QUE ESTOU NAQUUELAS PRAIAS,
GOSTAVA DAS FESTAS DA MINHA ZONA!
PENSO QUE ESTOU COM OS AMIGOS E TENHO SAUDADES DOS FRUTOS COMO A JACA, A CARAMBOLA, …
PENSEI QUE NUNCA DEIXARIA A CASA DA MINHA MÃE!

SÃO TOME É UM PAIS MARAVILHOSO!
A NATUREZA E AS PAISAGENS SÃO LINDAS!
TEMOS ROÇAS, O ILHÉU DAS ROLAS E O MONTE
FORTE!

PENSEI QUE NUNCA VIAJARIA PARA LONGE, DEIXAR A MINHA MÃE!
SÃO TOMÉ, TERRA LINDA, TEM BELEZA NATURAL
SÃO TOMÉ, TENHO SAUDADES DE TI, ADORO-TE!

Daisy Guadalupe Glória, Nº23, EFA BC (Março 2009)

Ser Português … aqui … hoje …

Que triste momento este,
Lembrar a adolescência amarga como o limão,
Como eu queria esquecer,
Para não mais doer o coração!

Quem me dera ser criança,
Para não ouvir, falar e ver,
Para deixar de existir e voltar a viver!

Que português sou eu,
Que vive o orgulho da sua história,
E a tristeza do presente estado,
Que tudo teve e agora está estagnado!

Que Portugal este,
Que me tirou a inocência,
E obrigou a crescer e a viver fora do tempo,
Tempos que já lá vão, que não voltam,
E que agora são só recordações!

Que mais posso eu dizer? Nada …
Lembrar é uma dor que não quero voltar a ter!

Que posso eu fazer?
Apenas lutar e acreditar que é possível lá chegar!

Mário Miguel Martins, Nª18, EFA BC (Março 2009)

One response to “A Multiculturalidade

  1. É bom saber que ainda recordam as nossas prosas e poesias, significa que marcamos a diferença…
    Fico muito feliz porque um dia fui aluna nesta escola onde acolhem tudo e todos sem distinção, porque são pessoas acolhedoras que ajudam e apoiam no que for preciso, sempre me senti em família. Tudo que eu sei eu aprendi praticamente aqui e muito obrigados a todos…

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